A vida é feita de afetos. Uns afetos distraídos. Outros sensuais. E alguns profundíssimos.
A linguagem é o afeto em comum.
A obra de arte é a educação afetiva.
Dê ao outro um jornal e depois dê um livro e saberá a diferença entre oferecer um aperto de mão e um abraço.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Livros me dão náusea - 17
Agora sim as coisas começam a correr decentemente na minha vida de leitura. Vários livros abertos, mas as leituras caminhando:
Update
O feriado da páscoa, mais o feriado forçado por São Pedro renderam bons frutos literários!
(acabei de publicar um texto sobre ele no http://eduqueinforme.blogspot.com)
Boca do inferno - Ana Miranda
História do corpo vol. 3
Linguagem e ideologia - José Luis Fiorin
Vamos ver qual deles sobrevive!!!
terça-feira, 16 de março de 2010
O tempo
é amigo da literatura.
A falta dele dá mão à burrice e à falta de produção.
Vivo sem tempo para o que mais importa.
Mas me importo com todos com que uso meu tempo.
A falta dele dá mão à burrice e à falta de produção.
Vivo sem tempo para o que mais importa.
Mas me importo com todos com que uso meu tempo.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Livros dão náuseas - Edição férias
Complicado atualizar esse tópico nas férias! Fico muito improdutiva. Um pingo de peso na consicência pelas pendências que tenho, mas muito prazer no ócio.
Mas aí vao minhas tentaivas:
Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (Ana Paula Maia).
Noites Brancas (Dostoiéviski).
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Cinderela Carioca
Recebeu do comandante uma bucha, fósforos e um litro de gasolina. Procura um carro, manda os passageiros descerem, se precisar, atira no motorista e joga o corpo pra queimar junto. Põe fogo em tudo pra eles saberem que nós não vamos ficar quietos.
O comandante (fada-madrinha) o incumbia pela primeira vez uma missão importante.
Pegou a sacola com o material, vestiu um boné, calçou chinelos e seguiu. Com medo. Se viu com muito mais medo do que imaginava.
Muitos ônibus passavam pela avenia principal e pensava "no próximo entraria". Espera parar no ponto. Não, esse está muito cheio. A rua lotada, poderiam pegá-lo.
Avistou um coletivo quase vazio parado num ponto. Uma chance. Foi andando em ziguezague entre os transeuntes e entou no ônibus, passageiro habitual. Odenou que descessem, molhou a bucha, jogou um pouco de gasolina no assoalho. Sentiu respingar-lhe o líquido. Preparou-se para correr e riscou o fósforo.
A chama o hipnotizou por uns segundo. O corpo detido no veículo sentiu o pé queimando, mas ainda demorou a se mover. Conseguiu fugir e no último degrau perdeu o pé de chinelo que estava em chamas.
Correu o mais que pôde sem olhar para trás. Não acreditava na liberdade. O coração ardendo como o ônibus, o pé chamuscado de asfalto quente.
Finalmente, chegando ao ponto combinado com o comendante, foi olhado da cabeça aos pés (semi-descalços). Estou sabendo que não fez como eu mandei. Mas está bom, dei meu recado.
Recobrada a cor, recebeu um tapinha nas costas sem sorriso e um cascudo sobre o boné. O pé ardia como se nunca tivesse descido daquele ônibus.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Casa vazia
O corpo era apenas uma pequena partícula no chão. Sentia-se fora de si materialmente. Conseguia sentir o nada. Eu, Bárbara, sou aquele ser logo ali e não sinto mais o amor e as saudades. Todos os sentimentos são físicos, todas as perturbações são patológicas: soube disso.
Acompanhou seus passos. A mochila de um lado só dos ombros a deixa torta para o lado oposto na tentativa de equilibrar o peso. Entrou na banca de jornal, comprou uma revista e chicletes. Deu o troco a um mendigo para se livrar das moedas e prosseguiu até o edifício. Sabia que teria raiva do seu chefe assim que o encontrasse no saguão, mas não conseguia sentir. Bons dias. A tarde toda em frente ao computador e não sentia o tédio aterrador de sempre. Estava muito distante.
Não consigo sentir a angústia de ficar parada durante horas no trânsito. Não consigo sentir antigas mágoas. Meu corpo apenas vive e come sem ter fome. Não tenho mais sentimento de posse pela minha casa.
Abriu a porta, não encontrou ninguém. O gato, sentado no sofá, a olhou de canto e levantou discretamente a cauda. Não havia mensagens, nem recados. Bárbara não sentiu falta disso. Fora do corpo a carência não existe, nem o medo, a solidão. Havia só distância e um corpo vazio.
Soltou a navalha, olhou-se no espelho, passou batom.
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