Ela só queria ler um livro em paz. "Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro", essas coisas. Mas não conseguia. Toda vez que começava a leitura uma angústia a dominava, parecia que um mundo de tensão a espreitava. Não era calmo. Lia. Depois deixava ao volume terminado na estante e olhava, temerosa, para todos aqueles outros ali guardados. Juntava mais livros do que podia ler. Sonhava ser devoradora. Daquelas que leem 100 livros por ano. 100 livros. Tão bonito esse número. Não passava de vinte, sendo uns cinco ou seis inacabados. Sonhava, também, entrar na história, sentir-se livre, liberta na ficção, de mãos dadas com seus ídolos literárias, vivendo uma emoção muito diferente do que sentia. E foi assim que a atração pelos livros, lindos, limpinhos nas livrarias - vibrantes nos sites das livrarias - fez com que ela construísse sua biblioteca feita de angústia e medo. Como só uma paixão interminável e talvez reprimida pode construir: um universo só seu, feito de uma coisa que só ela podia reconhecer.
domingo, 31 de julho de 2011
sábado, 30 de julho de 2011
Livros me dão náuseas 19
Eu voltei.
A ler
A escrever
A postar
A respirar
Lendo: Azul corvo (Adriana Lisboa) e O Fotógrafo (Cristóvão Tezza).
Agora vai, minha gente... Agora vai!
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Livros me dão náuseas ... perdi as contas...
Estou tão em falta com meu blog, meus leitores e meus livros...
Estou lendo Minha alma é irmã de Deus, mas não consigo terminar de jeito nenhum.
Acabei de ler Só as mulheres e as baratas sobreviverão da Claudia Tajes. É uma espécie de intertexto com A Paixão segundo G.H. Só que mais contemporâneo e bem menos genial.
Estou com muitos livros novos e nem começados. Excesso de trabalho e calor dão mais náusea que os livros.
De volta ao trabalho!
Estou lendo Minha alma é irmã de Deus, mas não consigo terminar de jeito nenhum.
Acabei de ler Só as mulheres e as baratas sobreviverão da Claudia Tajes. É uma espécie de intertexto com A Paixão segundo G.H. Só que mais contemporâneo e bem menos genial.
Estou com muitos livros novos e nem começados. Excesso de trabalho e calor dão mais náusea que os livros.
De volta ao trabalho!
domingo, 31 de outubro de 2010
Presidenta
Hoje se elegeu a primeira mulher presidente do Brasil. Mais uma para a América do Sul – além de Cristina Kirshner e Michele Bachelet. Isso nos mostra uma mudança em relação à visão dos gêneros? Sim. Inclusive pode-se dizer que é uma vitória para as mulheres. Vitória até gramatical pela possibilidade de escrever, dizer PRESIDENTA. A desinência de gênero não é mera formalidade dentro de uma língua cujo padrão é masculino. Língua essa que reflete a cultura.
Entretanto, o feminismo não supera o realismo. A primeira presidenta não representa uma mudança radical, foi rejeitada por muitos eleitores, inclusive por aqueles e aquelas que, como eu, decidiram em que NÃO votar e ajudaram a colocá-la no poder.
Em minha primeira eleição, votei no Lula. Ele ganhou e foi extremamente emocionante saber o resultado das urnas e depois vê-lo receber a faixa de presidente da república. Foi bonito.
Dessa vez não senti tanta emoção, é mais apreensão pelas cenas do próximo capítulo. Porém não podemos ser apenas espectadores como temos sido. Temos que ser muitas presidentas, sejamos homens ou mulheres, e provocar uma mudança que vá além do gênero do substantivo.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Dia dos professores
E eu nem me lembrei da minha profissão. Passou porque eu mesma nunca quis isso pra mim. Mas mulher que estudava, na minha época, era pra ser normalista; e normalista, ou dava aula, ou casava, ou ficava pra tia. Comigo aconteceram quase que as três coisas. Fiquei noiva durante o colégio, nem pensava em trabalhar, só seria uma esposa instruida. Com tudo pronto pro casamento, meu noivo morreu. Casa comprada, linda, enfeitada. Fui morar nela com minha mãe e uma irmã, herança de viúva solteira. Acabei precisando trabalhar para manter a casa. Minha irmã casou, teve filhos que foram meus alunos. Os filhos dos meus alunos foram meus alunos. E eu gostando cada vez menos da profissão. Gritando com as crianças, agredindo seus sonhos ao repetir que não iam passar de ano, não iam mudar de vida. Vão terminar pobres como seus pais. Vão terminar tristes como eu. Quem sabe acabem na cadeia. Pobres, feios, pretos. Hoje comemoram um dia em que não ganhei nem abraços nem flores, nem mesmo sei se recebi cumprimeitos sinceros. Acho mesmo é que os cumprimentos sempre foram irônicos. Tratei de ignorá-los. Assim como a todos os colegas, diretores e alunos. Sentava, abria uma página do livro, mandava que a turma fizesse - que se matassem se quisessem - dava as respostas corretas. Deixava-os livres. Até que adoeci. Aposentei-me por invalidez. Invalidei meus anos.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Afetos
A vida é feita de afetos. Uns afetos distraídos. Outros sensuais. E alguns profundíssimos.
A linguagem é o afeto em comum.
A obra de arte é a educação afetiva.
Dê ao outro um jornal e depois dê um livro e saberá a diferença entre oferecer um aperto de mão e um abraço.
A linguagem é o afeto em comum.
A obra de arte é a educação afetiva.
Dê ao outro um jornal e depois dê um livro e saberá a diferença entre oferecer um aperto de mão e um abraço.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Livros me dão náusea - 17
Agora sim as coisas começam a correr decentemente na minha vida de leitura. Vários livros abertos, mas as leituras caminhando:
Update
O feriado da páscoa, mais o feriado forçado por São Pedro renderam bons frutos literários!
(acabei de publicar um texto sobre ele no http://eduqueinforme.blogspot.com)
Boca do inferno - Ana Miranda
História do corpo vol. 3
Linguagem e ideologia - José Luis Fiorin
Vamos ver qual deles sobrevive!!!
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